Quanto mais reflicto mais concluo que grande parte dos problemas da nossa sociedade resultam de um problema de saciedade!
Quando damos comida a um animal (por exemplo a um cão), ele come tudo e se lhe dermos mais um bocado, ele come esse bocado. E se lhe dermos mais ainda, ele continua a comer. E dei comigo a perguntar-me o que aconteceria se eu continuasse a dar-lhe ainda mais comida. Quando é que ele pararia de comer e se consideraria saciado?
Na realidade, os seres humanos sofrem de um problem de ausência de saciedade. Se os muito ricos reconhecessem que são “podres” de ricos, que nunca conseguirão gastar tudo o que têm mesmo que vivam até aos 120 anos, talvez pudessem redestribuir a sua riqueza, dado o seu excedente ser-lhes totalmente inútil e poder ajudar tanta gente a sair da pobreza.
Talvez se os muito ricos assimilassem a descoberta de que a partir de um certo nível de riqueza e conforto material, ser mais rico não traz mais felicidade, enquanto pelo contrário, dar e apoiar uma causa maior, isso sim pode trazer uma felicidade e alegria profundas e genuínas, se os ricos reconhecessem isto e usassem isto, o mundo seria um lugar bem mais feliz.
Ao fazerem isso, os ricos estariam a dar sinais de inteligência humana e simultaneamente a terem acesso a uma felicidade genuína e não feita de ostentação social e glamour que só alimentam a insegurança e o medo que no fundo sentem bem lá dentro, medo de não serem nada, de não terem valor nenhum, de ninguém lhes ligar, caso fossem menos ricos.